Uma nova oportunidade…

Habitualmente prestamos toda nossa atenção ao constante fluxo dos nossos pensamentos. Mas, cada instante (este instante!) nos oferece uma nova oportunidade de sermos plenamente conscientes do momento presente…

Axel

Tradução de Ana Lúcia de Melo


Maravilhosa Síntese

Diferentes temas de caráter “espiritual”, como a Lei da Atração, a identificação com o ego, a “separação” e a capacidade de amar incondicionalmente, têm uma relação muito estreita com o grau de consciência com o que experimentamos no momento presente.

Uma adolescente desfrutando o momento presente

Foto de Rona Keller

Eckhart Tolle relaciona a possibilidade de alcançar a prosperidade nas nossas vidas com a experiência de viver plenamente o momento presente:

Eckhart Tolle

Foto de Eckhart Tolle

Pergunte-se qual “problema” você tem agora mesmo, não no próximo ano, amanhã ou dentro de cinco minutos. O que está ruim neste momento?

Por exemplo, muita gente espera que lhe chegue a prosperidade, mas esta não pode chegar no futuro. Quando você honra, reconhece e aceita plenamente a sua realidade presente (onde você está, quem é e o que está fazendo agora mesmo), quando você aceita plenamente aquilo do que você dispõe, então agradece o que você tem, agradece o que é, agradece Ser. A verdadeira prosperidade é sentir-se agradecido pelo momento presente e pela plenitude da vida agora mesmo. Não pode chegar no futuro. Mais adiante, com o tempo, essa prosperidade se manifestará de diversas formas.

de “Praticando O Poder do Agora”

Também o amor por nós mesmos é uma consequência natural de experimentar plenamente o momento presente. Compreendendo que neste brevíssimo instante não há carências nem fracassos, como assinala Tolle, então, não há razões para reclamarmos de nada a nós mesmos, nem para apontarmos erros nem fazermos censuras. Dessa maneira fica mais fácil aceitar-nos tal como somos, já não podemos nos sentirmos iludidos por sermos quem somos ou por fazer o que fazemos. Então, podemos experimentar de maneira espontânea o amor incondicional por nós mesmos. E amar-nos a nós mesmos é imprescindível para podermos amar aos demais.

Além do mais, a experiência de separação (de Deus, dos demais, da Natureza) é consequência de vivermos “desconectados” do momento presente. O contínuo discurso de nossos pensamentos (a essência mesma do ego), monopoliza nossa atenção e nos distrai da única experiência real a nosso alcance: viver plenamente o momento presente. Diz Eckhart Tolle:

A razão pela qual vivemos na ilusão da separação é o pensamento compulsivo. É quando permanecemos presos na torrente incessante de pensamentos compulsivos de que o Universo realmente se afasta de nós e perdemos a capacidade de sentir a conexão entre tudo o que existe.

de “Um Novo Mundo”

E, por último, um vídeo que talvez sirva para comprovar como a nossa atenção se vê atraída mais pelas ideias que pelos simples fatos que nos propõe o momento presente…

Axel Piskulic

“Quem fez isso?”, de Transport for London.

“Quem fez isso?”, de Transport for London.

“Quem fez isso?”, de Transport for London.

Tradução de Ana Lúcia de Melo


O Momento Presente

Devemos apreciar o aqui e o agora porque só estão aqui agora (A charge de Ziggy, por Tom Wilson)

O momento presente, esse único instante no qual todas as coisas acontecem, encerra um verdadeiro tesouro de plenitude, alegria e paz que talvez só tenhamos experimentado em algumas circunstâncias excepcionais.

O constante fluxo dos nossos pensamentos, esse incessante diálogo interno que ocupa sempre nossa função, nos separa da única (e maravilhosa!) experiência real: viver plenamente o momento presente.

Experimentar conscientemente cada sensação no nosso corpo, dos nossos sentidos, interrompe (mesmo que seja brevemente) esse diálogo interno que é a desgastante atividade do ego.

Qualquer ação pode se realizar com a atenção colocada no corpo, nos movimentos que realizamos, na respiração e na grande quantidade de informação que recebemos através dos sentidos e que, normalmente, passamos por cima por considerá-la insignificante, irrelevante…

Ao caminhar, por exemplo, podemos nos concentrar nos nossos movimentos, realizando-os de maneira “deliberada”, talvez com certa lerdeza, de tal forma que não haja nada que seja “automático”, atentos a nossa respiração e a cada sensação ou impressão dos nossos sentidos. A vista, por exemplo, nos entrega muitíssima informação.

Este instante, o momento presente, é o único que tem existência real. O passado e o futuro são conceitos abstratos que não podem ser experimentados.

A todos os efeitos práticos, há um só lugar importante em todo o Universo e um único momento de interesse em toda a Eternidade: Aqui e Agora

Axel Piskulic

Tradução de Ana Lúcia de Melo


Problemas de lógica

Faz um tempo me propuseram este problema de lógica:

Seis copos, três cheios e três vazios

Há seis copos, três cheios e três vazios, dispostos como os da imagem anterior. O problema consiste em ordená-los como se mostra na imagem seguinte, mas movendo só um dos copos:

Seis copos, três cheios e três vazios de forma alternada

(A solução, no final deste artigo…)

É interessante ver que esses problemas, que no começo podem parecer complicados ou até impossíveis de resolver, finalmente tinham uma solução muito simples.

Nossa própria existência encerra algo assim como um “problema de lógica”, cuja solução nos reportaria um bem-estar desconhecido: o momento presente, ou seja, esse único instante no qual todas as coisas acontecem, encerra um tesouro de alegria, plenitude e paz que talvez só experimentamos em algumas circunstâncias excepcionais.

Desenho de uma menina e um labirinto (Título: Maze, Autor: James Jean)

Existem numerosas referências sobre essa possibilidade que está sempre ao nosso alcance, mas que, no entanto, normalmente não podemos descobrir.

Algumas são histórias ou parábolas, como a do ancião que mendigava sentado sempre sobre um simples caixote, que levava sempre com ele, e que era um de seus muito poucos pertences. Um dia pediu esmola a um Mestre que passava pelo caminho, quem se desculpou porque não tinha dinheiro para compartilhar, mas lhe sugeriu que revisasse bem seu caixote, o qual, para a surpresa do mendigo, resultou haver estado sempre cheio de moedas de ouro. Ou como o relato de quem conta que durante a Criação, a felicidade ficou escondida no interior de cada ser, para recompensar os mais sábios ou valentes ou simples, ou seja, os únicos que a procurariam ali.

Um Curso em Milagres chama “instante santo”, a esse brevíssimo momento no qual alcançamos à consciência da nossa verdadeira natureza e experimentamos esse sonhado estado de bem-estar:

Pois, no instante santo, o qual está livre do passado, você vê que o amor se encontra em você e que você não tem necessidade de buscá-lo em algo externo… (Texto, cap. 15, V-9)

No instante santo não acontece nada que não tenha estado aí sempre. O único que acontece é que corre o véu que cobria a realidade. (Cap. 15, VI-6)

O milagre do instante santo reside no que você estiver disposto a deixá-lo ser o que é. E nessa amostra de boa vontade reside também a sua aceitação de você mesmo tal como Deus dispôs que você fosse. (Cap. 18, IV-2)

Não é o presente o que dá medo, mas sim o passado e o futuro, mas esses não existem. O medo não tem cabimento no presente quando cada instante se levanta nítido e separado do passado, sem que a sombra dele se estenda até o futuro. (Cap. 15, I-7)

Algumas pistas:

Não há algo que tenhamos que fazer para alcançar esse estado, mas sim bem algo que temos que deixar de fazer.

Não é realmente um problema de lógica, porque precisamente os mais inteligentes, ou seja, os que têm um ego mais complexo e desenvolvido, têm mais dificuldades para resolvê-lo.

Não podemos sacrificar o momento presente, com a esperança de que, graças ao nosso esforço ou dedicação, os “futuros momentos presentes” serão melhores: Existe só um momento presente.

É necessário alcançar antes um certo grau de quietude ou de serenidade da mente. As técnicas de meditação ou de respiração consciente podem ajudar.

O amor incondicional por nós mesmos e pelos demais e a completa aceitação de que nossa condição atual, são requisitos prévios.

E, finalmente, não se trata de alcançar um certo estado excepcional, mas sim de nos tornarmos conscientes da nossa verdadeira condição ou natureza. Será, talvez, algo parecido a acordar de um sonho…

Axel Piskulic

Solução do “problema de lógica”:

Pegamos o segundo copo, despejamos o seu conteúdo no quinto e voltamos a colocá-lo, já vazio, no segundo lugar.

Tradução de Ana Lúcia de Melo


Tudo nos acontece aqui e agora

Um homem se aproximou de um ancião e lhe disse assim:

“Disseram-me que você é sábio… Por favor, diga-me que coisas pode fazer um sábio que não estão ao alcance das demais pessoas.”

O ancião lhe contestou: “Quando como, simplesmente como; durmo quando estou dormindo, e quando falo com você, só falo com você”.

“Mas isso também posso fazer e não por isso sou sábio”, contestou-lhe o homem, surpreso.

“Eu não acho assim”, replicou-lhe o ancião. “Pois quando você dorme, lembra-se dos problemas que teve durante o dia ou imagina o que você pode ter ao se levantar. Quando você come, está planejando o que vai fazer mais tarde. E enquanto fala comigo pensa em que vai me perguntar ou como vai me responder, antes que eu termine de falar.”

O segredo é estar consciente do que fazemos no momento presente e assim desfrutar cada instante do milagre da vida.

Anthony de Mello

Um pouco de humor:

Quadrinhos sobre o momento presente, o aqui e agora

Para todos os efeitos práticos, parece que há um só lugar importante em todo o Universo e um único momento de interesse em toda a Eternidade: Aqui e Agora…

Axel

Tradução de Ana Lúcia de Melo

Os quadrinhos são de “El señor enviñetado”


A Felicidade, aqui e agora

Foto do escritor Jorge Luis Borges

Todos podemos alcançar a felicidade plena, aqui e agora. Ainda que pareça muito difícil fazer dessa ideia uma experiência real e permanente, mestres de variadas tradições a expressaram de diferentes maneiras, em todas as épocas.

Em cada momento de nossas vidas, em cada circunstância, quase sem exceções, existem suficientes elementos maravilhosos para nos preenchermos de alegria, de felicidade plena. Mas, em vez de nos assombrarmos e de desfrutarmos o que cada instante nos oferece, aceitamos como habituais esses pequenos milagres, os consideramos ordinários, naturais e cotidianos, e, ao contrário, destacamos e nos concentramos no que o momento carece.

Em seguida, um relato muito breve de Jorge Luis Borges, publicado no ano de 1934, e que é na realidade sua versão de uma das narrações mais originais e sugestivas de As mil e uma noites. Gosto de interpretá-la como um convite para descobrir os tesouros que temos sempre à mão, como uma parábola que propõe que a busca do bem-estar ou da felicidade “fora” de nós mesmos pode nos conduzir à compreensão de que esse estado tão desejado sempre esteve ao nosso alcance no nosso interior… precisamente aqui e agora.

HISTÓRIA DOS DOIS QUE SONHARAM

Contam homens dignos de fé que houve no Cairo um homem possuidor de riquezas, mas tão magnânimo e liberal que perdeu tudo menos a casa do seu pai, e que se viu forçado a trabalhar para ganhar o pão.

Trabalhou tanto que o sono o rendeu numa noite debaixo de uma figueira do seu jardim e viu no sonho um homem molhado que tirou da boca uma moeda de ouro e lhe disse: “Sua fortuna está na Pérsia, em Isfahan; vá buscá-la”. Na madrugada seguinte acordou e empreendeu a longa viagem e afrontou os perigos do deserto, das embarcações, dos piratas, dos idólatras, dos rios, das feras e dos homens.

Chegou por fim à Isfahan, mas ao adentrar nessa cidade, a noite o surpreendeu e se deitou para dormir no pátio de uma mesquita. Havia, junto à mesquita, uma casa e por vontade de Deus Todo-Poderoso, um bando de ladrões atravessou a mesquita e meteu-se na casa, e as pessoas que dormiam acordaram com o barulho dos ladrões e pediram socorro. Os vizinhos também gritaram, até que o capitão dos guardas-noturnos daquele distrito acudiu com seus homens e os bandoleiros fugiram pelo terraço.

O capitão quis revistar a mesquita e lá deram com o homem do Cairo e lhe açoitaram de tal maneira com varas de bambu que ele quase morreu. Dois dias depois recobrou os sentidos na cadeia. O capitão o mandou buscar e lhe disse: “Quem é você e qual é a sua pátria?” E ele declarou: “Sou da famosa cidade do Cairo e meu nome é Mohamed El Magrebi”. O capitão lhe perguntou: “O que lhe trouxe à Pérsia?” O outro optou pela verdade e lhe disse: “Um homem me ordenou num sonho que viesse a Isfahan, porque aí estava a minha fortuna. Já estou em Isfahan e vejo que essa fortuna que me prometeu devem ser as chicotadas que tão generosamente o senhor me deu.”

Diante de tais palavras, o capitão riu tanto que se viam seus dentes do siso e, finalmente, lhe disse: “Homem desajuizado e crédulo, eu já sonhei três vezes com uma casa na cidade do Cairo no fundo da qual há um jardim, no jardim um relógio de sol e depois do relógio uma figueira e depois da figueira uma fonte, e debaixo da fonte um tesouro. Não dei o menor crédito a essa mentira. E você, produto de mula com um demônio, não obstante, vem errando de cidade em cidade, baseado unicamente na fé do seu sonho. Que eu não volte a vê-lo em Isfahan. Pegue essas moedas e desapareça.”

O homem as pegou e voltou para a sua pátria. Debaixo da fonte do seu jardim (que era a do sonho do capitão) desenterrou o tesouro. Assim, Deus lhe deu a benção, e o recompensou.

Jorge Luis Borges

Tradução de Ana Lúcia de Melo